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  Igreja  
     
 
 
     
 

Autor: Rodrigo Arcanjo
Local: Igreja (Penha - SP)
Upload: 01/11/11
Câmera: Canon Powershot A530

Reflexão:

[...] em todas as sociedades [...] as mais diversas religiões tentam [...] explicar ou dar um significado às áreas do universo humano não submetidas à ciência. Por meio da fé, as pessoas respeitam, submetem-se, reverenciam, temem e confiam no desconhecido, mesmo que não haja qualquer compreensão científica. Sem demonstrações ou provas tangíveis, aceitam algo como verdadeiro e reconhecem sua superioridade. Além de tudo, o homem busca respostas e soluções para suas questões mais complexas, diante de dificuldades, dúvidas e sofrimentos, apoiado na ajuda de algo divino.

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Renúncia à subjetividade x Responsabilidade diante da vida

("Servidão voluntária")

“O que o sujeito pretende” ou “o que o sujeito busca” são algumas investigações que constituem o campo da idealidade do ser, que talvez se inicie com a perda de um modelo de satisfação plena em etapas muito primitivas de seu desenvolvimento.

De acordo com concepções psicanalíticas, haverá uma espécie de ferida inicial, a partir do momento que o indivíduo sai do ventre materno e é inserido em um cenário de desespero, segundo suas percepções. Toda experiência é vista como algo terrível, uma vez que o bebê não possui recursos internos para conter os estímulos (internos e externos) e manter sua própria existência. Diante disso, irá vivenciar um mundo interno e externo hostil e o desamparo caracterizará a experiência inicial do bebê, fruto dessa imaturidade biológica.

Verifica-se, no entanto, que o desamparo inicial do bebê dá lugar para uma relação entre este ser, que apela por cuidados, e um outro (figura materna), que se compadece diante disso. Segundo Wilfried Ruprecht Bion (1897-1979), psicanalista, esse vínculo primário mãe-bebê, marcado por uma mãe que é continente das necessidades e angústias do bebê, é chamado de função Rêverie. Além de conter e tolerar tais conteúdos projetados, a figura materna decodifica, dá sentido e devolve o que antes era intraduzível e intolerável. Porém, tal experiência deixa, de acordo com essa visão, o bebê sempre à distância de uma quietude, repouso ou satisfação plena – o que irá abrir uma fenda onde residirá o campo da idealidade, que o sujeito sempre tentará preencher.

De acordo com tais pressupostos, a servidão teria sua origem na tentativa da pessoa se proteger ou evitar a experiência do desamparo. Dessa forma, inconscientemente, “eu me submeto para receber em troca proteção e evitar o desamparo”. Isso talvez explique a necessidade de ilusão, religião e proteção: espécies de deuses como forma de proteção ou vivência de um bem-estar igual ou melhor à renúncia da minha própria satisfação. Em termos comuns, “eu faço isso por você, mas tal renúncia tem que valer a pena”, visto que o sujeito, inconscientemente, busca um gozo em objetos ideais, engrandecidos, superestimados.

A práxis nos mostra aqueles que colocam sua própria vida nas mãos de imagens investidas de muita fantasia e idealizações, que garantem, quem sabe, amor incondicional, imortalidade e satisfação plena – o que nos faz pensar, mais uma vez, na tentativa de evitar o desamparo e na busca de proteção. Mas se todos são escravos, talvez exista um senhor. Fica uma questão inacabada para todos pensarmos. Apenas arrisco dizer que é perceptível a existência de uma covardia em relação à própria vida, com o intuito de não se responsabilizar pelo seu próprio desejo e pela própria vida.

Pergunto, ainda, quais sacrifícios fazemos por sonhos alimentados, no mínimo, por deuses que nos violentam. Desconhecemos os deuses a quem servimos. Precisaríamos, de fato, vivenciar o luto das idealizações que nos colocam em uma situação de penúria. Mesmo assim, nossa visão cega e a reatualização de conflitos primitivos nos prendem, não raras vezes, aos modelos sofríveis de existência ou aos padrões que apenas alimentam uma falta ou fome insaciável.

Trechos extraídos do livro:

SANTOS, R.A. A essência da (in)felicidade: uma análise psicossociológica dos fatores que permeiam a construção e entendimento de um provável conceito de felicidade. São Paulo: Edição do autor, 2010. 162 p.

Rodrigo Arcanjo dos Santos - Psicólogo Clínico (CRP 06/97030), Professor, Escritor e Expositor.

 
     
 
 
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