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Psicologia e misticismo
Matéria desenvolvida para o Jornal Expressão - Universidade São Judas Tadeu (Astrologia - Jornal: “O mundo da Astrologia”)
Repórter: Laís Tarifa Dias
23/09/12

 

 

1 – Como a Psicologia encara a Astrologia? Ciência ou crença?

Ressalta-se, a princípio, que a Psicologia é uma ciência que, assim como outras ciências e disciplinas (sociologia, antropologia, economia, etc.), estuda o comportamento humano. O Psicólogo estuda o homem em toda sua variedade e complexidade, de acordo com as possibilidades que surgem ao mergulhar nas numerosas manifestações do comportamento humano, sejam elas manifestas ou encobertas, simples ou complexas, habituais ou insólitas.

Fundamental, no entanto, desenvolver, segundo consta no Código de Ética Profissional do Psicólogo, o sentido de sua responsabilidade profissional, por intermédio de um constante desenvolvimento pessoal, científico, técnico e ético (Princípios Fundamentais). Nestes aspectos, ao exercer sua profissão, o Psicólogo não pode induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou qualquer tipo de preconceito (item “b”, Art. 2º do Código de Ética). Deve haver uma cuidadosa preocupação com os princípios e conhecimentos reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional (item “c”, Art. 1º).

Portanto, Psicologia e misticismo não se misturam. Profissionais que insistem em utilizar práticas místicas em suas sessões apenas deturpam ou poluem a imagem da Psicologia enquanto ciência. Práticas que envolvem fé ou misticismo se afastam da prestação de serviços psicológicos de qualidade e eficientes.

Mesmo assim, há, infelizmente, uma onda mística que se aproximou da Psicologia e acabou gerando inúmeros processos éticos e, pior ainda, comprometendo a imagem da profissão, que se mistura com terapia de vidas passadas (crença na reencarnação), rituais, cultos, borra de café, cristais, astrologia, tarô, mapa astral, convicções religiosas, entre outras práticas alternativas inaceitáveis durante o exercício profissional.

2 – Acreditar em “previsões futuras” pode prejudicar o “olhar” para a realidade?

Reafirma-se, antes de tudo, o respeito às diferenças e à liberdade de expressão de todas as formas de religiosidade e misticismo, por exemplo. É necessário defender e valorizar a democracia, os direitos dos cidadãos e a livre expressão.

Porém, mesmo que não haja oposição da Psicologia em relação às práticas em questão, vale lembrar que, enquanto Psicólogo, é vedado apropriar-se de técnicas que não sejam fundamentadas na ciência psicológica. A relação de um cliente com o “sagrado” ou com o “místico” será apenas analisada pelo(a) Psicólogo(a), nunca imposta ou incorporada à sua prática profissional.

Conforme apresentado em meu 1º livro (“A essência da (in)felicidade: uma análise psicossociológica dos fatores que permeiam a construção e entendimento de um provável conceito de felicidade), percebe-se que muitas previsões, revelações e saberes dogmáticos tiram nossa responsabilidade diante da vida e tornam a realidade obscura ou, em outros termos, obnubilada por fantasias. Quantos se colocam à disposição dos caprichos de “sábios” ou “escolhidos” que desrespeitam a liberdade e a autonomia do ser humano? A pessoa perde o direito de se governar por si mesma, conforme suas próprias convicções. “Torna-se dependente de leis (externas) que regem sua vida e que extinguem a possibilidade de fazer suas próprias escolhas. Porém, talvez seja mais fácil renunciar à subjetividade para não carregar o peso da responsabilidade diante da vida.”

3 – Buscar o autoconhecimento através da Astrologia é considerado uma alternativa boa ou ruim? Por quê?

Essas práticas alternativas propõem ao indivíduo crenças que o afastam de uma postura ou concepção ativa em relação à sua própria vida. A pessoa passa a habitar um território fantasioso, alimentado pela passividade e pela falta de responsabilidade diante dos acontecimentos.

4 – Acreditar em signos astrológicos e previsões pode tornar a pessoa mais confiante?

Confiante em algo que, ao contrário dos objetivos da Psicologia, dificultam ou não permitem ao sujeito se tornar um autor de sua própria história e, assim, controlar e se apropriar de seu próprio desenvolvimento. Em termos comuns, pode-se dizer que quanto mais a pessoa se afasta da realidade, maiores dificuldades encontrará para lidar com ela.

5 – Ler uma “previsão diária” pode influenciar as ações de uma pessoa (consciente ou inconscientemente)? Por quê?

Uma vida de fantasia representa, em diferentes níveis, um empobrecimento psíquico. Quando a pessoa se apropria de tais “saberes”, ou seja, a partir do momento que passa a apenas acreditar e a conduzir sua vida a partir daquilo que leu, consolidam-se, a partir de previsões ou determinações externas, horizontes psicológicos estreitos, experiências paupérrimas e buscas incessantes por soluções fáceis e primitivas. A pessoa passa a viver um verdadeiro frenesi infantil e regredido diante de dizeres que deterioram a conquista de uma vida de acordo com seu interior e dentro de suas reais possibilidades.

Rodrigo Arcanjo dos Santos - Psicólogo Clínico (CRP 06/97030), Professor, Escritor e Expositor.

 

Maiores informações:

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