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Psicoterapia familiar e de casal

 

 

Trabalho Terapêutico

Percebe-se, em certos trabalhos terapêuticos, a necessidade das famílias pensarem sobre sua própria realidade. Ao invés da simples troca de acusações, espera-se, por exemplo, que os familiares passem a refletir sobre o que cada um pode fazer para melhorar a relação familiar. No entanto, pode-se identificar que não há uma identidade familiar constituída. Dessa forma, seus membros não se diferenciam e podem apresentar dificuldade para redefinir seus papéis, principalmente após a família sofrer diversas reconfigurações, algo muito comum nas sociedades contemporâneas.

Com a psicoterapia, espera-se dar voz à família (que carece da expressão de ideias e sentimentos), com o intuito de ajudá-la a estabelecer uma melhor comunicação. Promove-se, assim, um encontro entre os membros que, antes, apenas se uniam fisicamente. Isto facilita a construção de uma identidade familiar. Mas, para isso, é necessário que cada integrante reconheça a existência de um problema e a falta de recursos para lidar com aquela situação. Importante lembrar que só pelo fato de contar os acontecimentos para o terapeuta, talvez o casal já comece a reorganizar e a reconstruir sua própria história.

Espera-se que os participantes absorvam algo dos atendimentos. Porém, nem sempre o trabalho terapêutico traz repercussões, visto que é necessário consciência do problema e recursos para mudar. Difícil, entretanto, é saber o que o sujeito espera dele mesmo (e de seus familiares) e como se percebe enquanto membro pertencente àquela família. É também preciso compreender que a(o) parceira(o) tem o direito de ser um anjo ou demônio, pois não é apenas uma extensão de um outro que define o que ela(e) deve ou não ser ou fazer. Identificam-se relações onde a pessoa tenta educar, punir, julgar, condenar ou triunfar sobre o outro.

O terapeuta, dessa forma, ajuda o casal a fazer melhores escolhas (o que difere de decidir ou agir pelo outro), mantendo um clima de acolhimento, confiança, aceitação, empatia e não julgamento. Facilita a construção de uma relação mais madura e pautada na realidade, por meio de uma fala que possa gerar reflexões (a base do processo de mudança). O crescimento de uma relação começa a germinar à medida que cada um reconhece seu papel e responsabilidade na relação, além de lidar de modo mais realista e produtivo com as mais diversas situações.

Visão sistêmica

De acordo com a visão sistêmica, a identidade familiar determina como os membros de uma família se colocam a serviço da subsistência (homeostase) do sistema em que se encontram inseridos. Considera os processos e regras existentes naquele espaço, além de compreender a aliança familiar “em relação a” diversos fatores, que transpõem a compreensão do fenômeno por meio de elementos intrínsecos ao ser (seu mundo interno). Relacionamentos disfuncionais podem revelar que um sistema é marcado por muita rigidez e escassez de recursos para sustentar processos de mudanças – o que bloqueia seu desenvolvimento.

A busca de parceiros, de acordo com esse entendimento, é motivada por uma profunda lealdade ou identificação com o meio, que, de algum modo, precisa se manter de acordo com o modelo original estabelecido. Restrito e paralisado em seus papéis, o indivíduo se coloca a serviço de complementaridades, que mantêm a unidade e o equilíbrio do sistema. Por isso, a destituição de um “bode expiatório”, por exemplo, pode ameaçar o sistema, destruir os benefícios dos demais membros e trazer à tona os piores conflitos, que são secretamente compartilhados e estruturados em torno de conflitos, disfunções, medos e incongruências.

Nesse caso, o trabalho do Psicólogo pode ajudar a revelar discursos até então implícitos, incompletos e incongruentes (questões encobertas, marcadas por relações de poder e fantasmáticas, que obscureciam sentimentos e ideias presentes naquele ambiente familiar).

Investigar-se-á um conjunto de acordos inconscientes que os parceiros estabeleceram nas relações amorosas, assim como os supostos enganos que as pessoas cometem no processo de “descoberta” do outro, embora alguns sinais sempre estivessem à disposição delas. Mesmo assim, tais alianças revelam verdadeiros “temas centrais” (relacionados aos aspectos mais estruturais da personalidade), que se repetem e são compartilhados por meio de acordos inconscientes – um acordo não escrito do casamento.

Papel do Psicólogo

O Psicólogo, em síntese, oferece uma escuta qualificada e ajuda cada membro a se dar conta de questões encobertas. Olha a família em seus papéis para poder compreendê-la, por exemplo, nos seguintes aspectos: sentidos subjacentes, sentimentos/expectativas existentes, constituição familiar, padrões de relacionamento estabelecidos, influência da família de origem, papéis invertidos/incompatíveis, padrões mal-adaptativos que são repetidos, o que mantém o relacionamento, como lidam com suas vivências/experiências, se há ou não crítica presente e como os membros enfrentam perdas, frustrações e separações.

Ao interrogar o cliente, o terapeuta tenta identificar limitações, defesas, distorções, escotomas* (presentes no discurso) e a visão de mundo singular (ou perspectiva) do sujeito. Suas perguntas** colocam em ação inúmeros estímulos de mudança, pois exercitam (ampliam) a percepção e reavivam fatos e relações implícitas. Em síntese, pergunta-se para o cliente ouvir-se falar.

Desembaraça-se, assim, a fala emaranhada do cliente e se extrai pontos significativos da mesma, que, em muitos aspectos, pode trazer um relato confuso e sincrético (quando há a unificação de diversas ideias, por vezes, inconciliáveis, antagônicas).

Entre diversos tipos de intervenção verbal do terapeuta, verifica-se, é claro, a importância de também reforçar ações positivas (princípio geral de aprendizagem), uma vez que isso gera autoconfiança e estimula o potencial de crescimento do indivíduo – o que talvez não seja possível ao apenas apontar defeitos e erros. Autoritarismo, repreensões e desigualdade nas relações (embora existam papéis distintos) podem consolidar um vínculo infantil de dependência que tende à inércia e não ao crescimento.

É essencial uma análise minuciosa do discurso, por meio da observação não participante (leia-se não restritiva ou não impeditiva). O clima de equanimidade ou imparcialidade também ajuda a atenuar desníveis presentes na relação terapêutica – o que é próprio, de fato, de qualquer relação madura. O acordo estabelecido precisa estabelecer uma relação de trabalho que traga à luz um conhecimento e ações que se afastem de qualquer condição de dependência infantil (entre uma criança desprotegida e um adulto autoritário, onipotente e onisciente, que apenas emite “verdades”). Caso contrário, o trabalho se torna contraproducente, ou seja, algo que estimula o vínculo regressivo com o terapeuta e, como consequência, engessa e fere ainda mais os mecanismos adaptativos do ser (recursos egoicos).

Em suas intervenções verbais, o profissional interroga, confirma, retifica, assinala, explora, proporciona informação, facilita ab-reação***, clarifica, reformula, repete, sintetiza, interpreta e sugere alternativas (além de um simples convite para novas experiências, há o intuito de promover insights ou consciência de motivos, relações, sentimentos e impulsos inconscientes).

A transição do nível dos fatos para o das significações ocorre pela interpretação, momento em que há a formulação de hipóteses que inserem um raciocínio possível em um território antes marcado por dados soltos, desconexos, ilógicos e contraditórios (em relação à lógica usual). O terapeuta tenta mergulhar nos mecanismos e motivações internas do cliente, além de procurar identificar as características de suas expressões e relações estabelecidas com o meio.

Constata-se, ainda, que a estratégia de recapitular ou sintetizar materiais das sessões, por exemplo, representa um fechamento provisório que funciona como uma espécie de trampolim que facilita (de maneira dialética) o avanço do conhecimento – por intermédio de sínteses progressivas, geradas a partir do choque entre ininterruptas teses e antíteses (oposição por incoerências, desacordos, contestações, objeções e aborrecimentos).

Sabe-se, entretanto, que na prática da psicanálise, por exemplo, detalhes relacionados às situações reais podem, de certa forma, aproximar-se da irrelevância, uma vez que se procura identificar e elaborar (momento de progressão) o modelo de fantasia (inconsciente) vincular latente que se manifesta no relato. A interpretação possui, nestes aspectos, um valor supremo no processo analítico e ocupa o topo da hierarquia dos princípios terapêuticos.

Não se pode descuidar, no entanto, de outros fatores que talvez caracterizem os fenômenos. Entre eles, diversas contradições sociais entre exigências do meio e possibilidades do ser geram, em muitos aspectos, certos desajustes. Mas, em geral, a compreensão dos fenômenos gira em torno de uma leitura estritamente relacionada à dinâmica intrapsíquica do sujeito.

*Termo da Medicina que representa a área, dentro do campo visual, em que a visão está prejudicada, cercada por zona em que a visão é normal ou menos perturbada.

**Suas repercussões também dependem, é claro, da aptidão do sujeito para abstrair e estabelecer relações.

***Em termos psicanalíticos, ab-reação (palavra empregada por Freud, com frequência, como sinônimo de catarse) significa uma descarga emocional mais ou menos intensa caracterizada pela aproximação do indivíduo de seus próprios processos, reações e capacidades mentais. Removem-se obstáculos emocionais e o indivíduo expressa suas ideias e sentimentos reprimidos. Revive, assim, um acontecimento traumático (material reprimido) e se liberta da repressão à qual estava submetido. Isso pode se dar de maneira espontânea ou manifestar-se no curso de certos processos psicoterápicos, por ação deles.

Referência:

SANTOS, R.A. A essência da (in)felicidade: uma análise psicossociológica dos fatores que permeiam a construção e entendimento de um provável conceito de felicidade. São Paulo: Edição do autor, 2010. 162 p.

Rodrigo Arcanjo dos Santos - Psicólogo Clínico (CRP 06/97030), Professor, Escritor e Expositor.

 

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